terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Órfã

(Orphan, 2009, Jaume Collet-Serra)



De 2000 pra cá, os espanhóis tem se provado ótimos em fazer filmes de terror. É só vermos [REC] de Jaume Balagueró e O Orfanato de Juan Antonio Bayona, ambos de 2007, para comprovar isso. A Órfã, que apesar de ter sido realizada pela produtora americana Dark CASTLE, tem na direção o espanhol Jaume Collet-Serra que já havia dirigido outro filme com a produtora,  o remake A Casa de Cera de 2005 e diferente desse filme e os outros produzidos pela mesma, além de não ser um remake, é interessante ver que está longe do padrão da produtora de usar e abusar dos efeitos especiais e do banho de sangue em seus filmes, puxando mais pro suspense psicológico que talvez deva-se ao fato de, na verdade, o filme ser uma parceria entre a Dark Castle e a Appian Way de Leonardo DiCaprio (por isso o filme ficou tão bom, rsrs! Desculpa mas o cara é foda eu o admiro muito, não sei como não levou um Oscar até agora!). 

E se o roteiro (do até então novato David Leslie Johnson) não é original, pelo menos é inteligente e bem elaborado ao abordar a história de  uma criança dissimulada e com comportamento duvidoso. Essa é Esther (Isabelle Fuhrman) que é adotada por Kate e John Coleman (Vera Farmiga e Peter Sarsgaard), que após terem perdido o bebê na última gravidez de Kate e a mesma ter ficado extremamente abalada com isso, resolvem adotar uma criança. Esther agrada a todos à primeira vista, por se mostrar uma criança simpática e aplicada e assim vai se mostrando até ficar envolvida com o assassinato de uma Freira do orfanato onde saiu (interpretado por CCH Pounder - CCH, isso é nome?! Tdb quié artístico, mas pq essa sigla para abreviar seus 3 primeiros nomes, pq não escolheu logo só um deles ou algum outro?!), de machucar gravemente uma coleguinha de sala que a atazanava e até mesmo de quase matar os irmãos Daniel e Maxi (filhos biológicos dos Coleman - interpretados por Jimmy Bennett e Aryana Engineer, respectivamente). Kate começa a desconfiar do comportamento de Esther que coloca em dúvida sua inocência, porém, ninguém acredita em sua desconfiança, pois, a essa altura a menina conseguiu manipular todos a sua volta, principalmente o pai John, pelo qual demonstra uma estranha afeição, e á colocá-lo contra Kate, é então quando a mesma começa a investigar por si prórpia informações de sua filha (se é que ainda a considera) adotiva até descobrir uma verdade aterradora, nos intregando a uma tremenda reviravolta no filme que mostra o porquê de tamanha maldade nessa "criança".

Nas suas pouco mais de 2 horas de duração, o filme apesar de ser um thriller (impossível falar/escrever essa palavra sem a musik do Michael Jackson vir à cabeça!) flerta bastante com o drama, principalmente por focar bastante no drama familiar que é vivido pelos personagens, por exemplo: a mãe que tenta reerguer a vida junto do marido após a perda do bebê e de alguns problemas por alcolismo que teve; o filho mais velho carente por não ter mais a atenção dos pais que tinha devido à última gravidez da mãe e dos cuidados que eles tem com Maxine a filha mais nova que é surda-muda, essa totalmente dependente dos pais (que genialmente nas cenas que a focavam o audio era retirado permanecendo apenas uma trilha sonora de fundo fúnebre e com a legenda da linguaguem de libras feitas pelos personagens tentando nos colocar no lugar da personagem nos fazendo sentir como é ser surdo-mudo); e não que isso tenha diso ruim pro filme, pelo contrário, ajudou muito na condução da história já que o drama vivido pela família foi o instrumento usado pela esperta e calculista Esther para manipulá-los, principalmente a pobre Maxi por ser a mais vunerável. Sem contar que a atuação do elenco também foi muito boa, principalmente por parte de Isabelle Fuhrman, que na época só tinha 12 anos e foi bastante aclamada pela crítica por sua atuação, e a sempre ótima Vera Farmiga, sendo os melhores diálogos e cenas protagonizados por elas. Destaque também para Aryana Engineer em sua estréia como atriz, que é mesmo deficiente auditiva e que foi escolhida a dedo para entrar no filme.

O filme pode funcionar melhor como suspense, mas ele possui muitos elementos terrorísticos como as cenas de violência on-screen (como na cena em que Esther mata uma pomba); ou então os momentos em que Esther aparece do nada em momentos clichês com aquele choque de luz e aqueles efeitos sonoros de surpresa, aliás, os efeitos sonoros utilizados remetem muito aos filmes de terror setentistas, fora o cenário uma casa situada no meio de uma floresta (sempre, né?!) em pleno inverno, ou seja, aquele clima ao mesmo tempo asustador e depressivo causados pelo inverno nebuloso americano, transpondo bem o que é vivido pela família. 

Correm boatos de que o filme é levemente inspirado na história da psicopata tcheca Barbora Skrlóva, cujo o caso não é muito conhecido no Brasil, por isso muita coisa relacionada à ela na internet sejam apenas de sites internacionais, sendo que aqui no Brasil a maioria se encontra em blogs que traduziram o caso que a envolvia, como o do blog Medo B, cujo o link encontra-se à seguir, mas ATENÇÃO: LENDO A MATÉRIA POSTADA VOCÊ PODERÁ TER UMA NOÇÃO DE COMO O FILME É, POR ISSO EU O CONSIDERO UM SPOILER, PORTANTO SE VOCÊ AINDA NÃO VIU O FILME E NÃO QUER DESCOBRIR A HISTÓRIA DO MESMO NÃO ACESSE A MATÉRIA. FORA QUE TAMBÉM A HISTÓRIA É REALMENTE CHOCANTE, PORTANTO SE VOCÊ TEM CORAÇÃO FRACO, TAMBÉM NÃO ACESSE O LINK: http://medob.blogspot.com.br/2013/03/o-terrivel-caso-kurim-mae-canibal.html. Para comprovar, tem uma matéria na net que achei do site online do jornal Folha de São Paulo que chegou a falar de leve sobre o caso (recomendo também quem não tenha assistido o filme não ler, pois, poderá servir de spoiler sobre o filme): http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u414524.shtml. Eu considero esse fato do filme ter se inspirado no caso como boato, pois, não há nada que comprove a ligação entre os mesmos e, talvez se o filme tenha mesmo se baseado no caso, acho que o fato de não o terem creditado como fonte pode ser por causa do conservadorismo americano, pois, fazer um filme com uma criança violenta e maldosa já é algo polêmico, imagina baseado num caso de uma psicopata! Se alguém tem algum link de alguma matéria que realmente comprove a ligação do filme com o caso de Barbora, poste nos comentários, para que eu corrija e me desculpe pela ignorância.

Díficil acreditar que a Dark Castle tenha realizado esse filme, não que ela produza filmes ruins eu até curti 13 Fantasmas e gosto bastante de A Casa de Cera, mas, como eu já disse, possui elementos bem diferentes do que a produtora já é acostumada. Também, foi difícil não dar 10 pra esse filme, pois, não apenas por ser um dos meus filmes de terror favoritos, mas por ter sido tão bem elaborado, ele merece ter seu reconhecimento.

Nota: 10 / 10